Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
Às vésperas do confronto contra o Atlético-MG, o clima nos bastidores ganhou um ingrediente extra fora das quatro linhas. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, fez duras críticas ao gramado sintético da Arena MRV e reacendeu um debate que já se arrasta no futebol brasileiro: a utilização de campos artificiais em competições de alto nível.
Sem medir palavras, o dirigente rubro-negro classificou o piso como “campo de plástico” e reforçou o posicionamento histórico do clube contra esse tipo de superfície. Para Bap, o uso do gramado sintético vai na contramão do que é praticado nas principais ligas do mundo e compromete o desenvolvimento de um futebol mais competitivo no país.
A crítica não foi apenas técnica, mas também estrutural. O presidente questionou a lógica por trás da adoção desse tipo de gramado no Brasil, destacando que, em países onde o clima é rigoroso — com neve durante grande parte do ano —, o recurso é compreensível. No entanto, na realidade brasileira, segundo ele, a motivação passa muito mais por questões financeiras do que esportivas.
Bap ainda foi além ao sugerir que alguns clubes optam pelo sintético visando reduzir custos de manutenção e aumentar a rentabilidade com eventos, como shows. Na visão do dirigente, isso cria uma distorção no futebol: “quem quer ganhar dinheiro com espetáculo deveria focar nisso, não no futebol”, foi a linha de argumentação apresentada.
O posicionamento do Flamengo, inclusive, não é recente. O clube já formalizou à CBF um pedido para padronização dos gramados no futebol brasileiro, defendendo a adoção exclusiva de campos naturais. Até o momento, porém, a entidade mantém a autonomia dos clubes sobre seus estádios, o que permite a continuidade do uso do sintético em arenas como a do Atlético-MG.
Dentro de campo, o cenário também exige atenção. A Arena MRV, inaugurada em 2023 e com capacidade próxima de 45 mil torcedores, utiliza gramado artificial e se consolidou como um dos ambientes mais intensos do futebol brasileiro recente.
Com isso, o duelo entre Flamengo e Atlético-MG ganha contornos ainda mais quentes antes mesmo do apito inicial. De um lado, um clube que defende mudanças estruturais no futebol nacional; do outro, uma equipe que utiliza o modelo atual como parte de sua identidade e vantagem competitiva.
Mais do que os três pontos, o confronto simboliza também um choque de visões sobre o futuro do futebol brasileiro — dentro e fora das quatro linhas.
